Nasci numa pequena vila chamada Tarrafal, da Diocese de Santiago, em Cabo Verde. Sou a quarta filha de oito irmãos, que cresceram num ambiente de alegria. Os meus pais eram um casal muito amigo e cristão e tudo fizeram para nos educar na fé da Igreja, mas não nos obrigavam, sobretudo, a ir à catequese. Frequentávamos, sim, a Missa dominical das crianças.

Eu sentia o desejo de ir à catequese como as outras crianças e pedi à minha mãe para me deixar ir. Mas a catequista fez-me uma pergunta sobre Jesus e eu não soube responder; as crianças riram-se de mim e eu fiquei com vergonha e nunca mais fui. Passados 4 anos, senti de novo o desejo de ir aprender a rezar e saber algo mais sobre Jesus, para poder comungar como as outras adolescentes, porque as via muito felizes ao virem da Comunhão e pensava que isso deveria ser muito bom! A verdade é que cada vez que ia à catequese e à Missa no meu coração brotava a alegria ao ver essas crianças. Até que, aos 12 anos, chegou o dia esperado da minha Primeira Comunhão, que muito me marcou. Experimentei no meu coração que Jesus me amava muito e que esta alegria de O receber fez de mim uma adolescente nova.

Um dia partilhei com a minha irmã mais nova que gostava de ser como a catequista, que era uma irmã, para poder falar de Jesus às pessoas. Mas eu era muito viva e espontânea e sentia uma simpatia especial por um vizinho. Isso trazia-me inquieta e perguntava-me se queria mesmo ser irmã. Porquê eu, se nem havia mais nenhum religioso na família?

No decorrer deste dilema de discernimento vocacional, recordo-me de ter ido a uma ordenação sacerdotal e de me ter marcado profundamente ver aquele jovem tão feliz e sereno a prostrar-se no chão, enquanto o coro cantava a ladainha. Era “algo fora deste mundo”, que não sabia descrever, mas que confirmou aquilo que eu desejava: ser de Jesus!

Tinha, então, 14 anos. Comuniquei à minha família este desejo de seguir Jesus e sabia que os meus pais não me impediam, porque queriam ver-me feliz. Dizia-me o meu pai: “Filha, se é isso que te faz feliz, segue, mas vê lá, a vida é seria!”. Um ano depois, entrei na Congregação, que mal sabia que tinha um carisma eucarístico e que tem uma particular missão de rezar pelos sacerdotes, uma missão específica que a nossa fundadora deixou.

Ao fazer a memória desta história de Deus comigo, os acontecimentos marcantes da sua presença na minha vida, sinto-me grata pela família que Ele me deu, por tudo aquilo que os meus pais me ensinaram e que hoje partilho com amor com aqueles que me rodeiam e acolho com amor. Estou neste caminho com Jesus e com as irmãs há 20 anos, e cada dia que passa sinto essa alegria de seguir Jesus e de estar com Ele, quer faça sol ou chuva, haja luz ou trevas…

Uma das passagens bíblicas que me anima neste caminho é esta: “Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não me julgo como se já o tivesse alcançado. Mas uma coisa faço: esquecendo-me daquilo que está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta, para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus” (Flp 3, 8-14). Não sei porque Ele me escolheu; só sei que Deus me amou e me chamou pelo meu nome. E foi com esta certeza que eu corri atrás d’Ele.

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