Chamo-me Laurinda Rosa leite Martins. Nasci numa família cristã muito simples onde se respira e ama a Deus e Nossa Senhora tendo sempre por regra a reza do terço todos os dias. Ainda hoje é o nosso suporte e alavanca espiritual.

Com a ajuda dos meus catequistas fiz a minha caminhada cristã até à profissão de fé e mais tarde fiz o Crisma, assumindo o compromisso de colaborar na comunidade paroquial, inicialmente fi-lo como catequista, depois como membro do grupo coral e mais tarde o movimento da Legião de Maria onde confirmei com a ajuda de Nossa Senhora, a decisão de me Consagrar a Deus na Vida religiosa.

Não sei explicar como surgiu a minha vocação. Sei que desde muito pequena queria ser freira, mas não sabia muito bem o que era isso. Apenas me recordo de ver uma religiosa já velhinha a pedir pelas casas na zona de Paço Vieira onde eu vivia. Pensava para mim: quando for maior vou ser freira para ajudar estas Irmãs mais velhas para não terem que andar por aqui ao frio e à chuva a pedir para ajudar os outros. (Esta religiosa, vim a saber mais tarde pelo meu Pároco, era a nossa Irmã Conceição Dias-Capuchinha).

Também uma altura na escola a minha professora, mandou-nos fazer uma composição sobre o que queríamos ser quando fossemos grandes. Lembro-me que escrevi que queria ser freira pelas razões que já mencionei, ou costureira, porque a minha catequista era costureira e ao mesmo tempo ensinava-me a doutrina. Por esses dias o Pároco foi visitar a escola, fazia-o muitas vezes, e sei que a professora comentou com ele a minha composição, a partir daí, sempre que vinha falar com o Sr. Abade para além da confissão vinha sempre a mesma pergunta: Já pensaste o que Jesus quer de Ti? Escuta-o! Não te distraias.

Também gostava de ler o exemplo e o testemunho dos Missionários e religiosos que vinham na revista da cruzada ou no jornal paroquial. Ficava maravilhada com a vida e a simplicidade destes missionários que trabalhavam afincadamente levando a Palavra de Deus a zonas muitas vezes difíceis de penetrar e aspirava entrar na Vida Religiosa para viver como eles, principalmente servindo os mais necessitados. Mas não sabia como.

Até que um dia ouvi pela primeira vez a falar de vocação a uma Irmã que veio à minha paróquia dar formação aos catequistas a Irmã Celina Lopes que mais tarde veio a ser minha formadora no Noviciado em Braga. Ela partilhou connosco a sua descoberta vocacional, o que fazia e a Congregação a que pertencia. Fiquei deslumbrada e muito tranquila no coração. Disse para comigo é isto o que eu quero para mim e assim aconteceu.

No dia 23 de outubro de 1982, com 19 anos, entrei na Congregação, na comunidade de em Braga.

Pude contar sempre com a ajuda do meu Pároco no discernimento vocacional, sempre com palavras oportunas, muito profundas e cheias de Deus.

Foram muitas as vivências e testemunhos que me deram “aquele empurrãozinho” para abraçar o chamamento de Deus e responder-lhe com grandeza de ânimo.

Para os meus Pais foi muito difícil aceitar a minha decisão, pois era a mais velha de 5 irmãos. Mas nunca lhes faltou a força de Deus e proteção de Nossa senhora.

Trinta e um anos mais tarde recordo esse momento e vejo-o como uma metáfora do desejo mais profundo que o Espírito Santo semeou no meu coração: viver a minha vida ao ritmo de Jesus Eucaristia e ser uma Extensão do seu amor.

As missões que o Senhor me confiou, através das minhas superioras, foram uma fonte de alegria, ainda que repletas de desafios. Conheci e senti as minhas fragilidades, mas experimentei, com toda a beleza, a fidelidade e o amor de Deus. «Tudo é dom, tudo é graça». Porque Deus não pensa apenas no que somos, mas em tudo o que poderemos vir a ser.

Dou graças a Deus pela minha Congregação, que sempre acreditou em mim e me tem apoiado em tudo, apesar das minhas fragilidades. Assim como as comunidades que me acolheram, pela convivência fraterna e partilha de vida;

Procuro ser fiel à oração… como tempo e espaço vital e afetivo para estar com Deus, escutá-Lo e falar-Lhe, contar com Ele no meu dia-a-dia, só assim me sinto fecunda e unida a todos os que contam com a minha oração e ajuda espiritual.

Entrego ao Senhor todas as pessoas que ao longo da minha vida me ajudaram e me ajudam a viver a minha Consagração e a ser uma extensão de Jesus Eucaristia.

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