Meu nome é Mileiza de Jesus Mendes Cabral. Nasci a 20 de janeiro de 1996 nos picos, Ilha de Santiago, Cabo Verde.

Meus pais tiveram 3 filhas, eu sou a do meio. Tive pouca convivência com o meu pai, porque emigrou quando ainda era criança, foi a minha mãe, prima e os vizinhos que cuidarem da minha educação, quando minha mãe ia trabalhar.

Quando era criança ir a missa e catequese era obrigatório, para poder receber os sacramentos. Uma vez pedi a minha irmã mais velha que me desse pedaço daquela coisa branca (Jesus Eucaristia), ela recusava o meu pedido, eu chegava em casa dizia a minha mãe.

Quando chegou altura da minha primeira comunhão, minha mãe todas as noites me ensinava a ajoelhar e a rezar ato de contrição.

Depois da primeira comunhão, não frequentei mais a catequese mais tarde também a missa.

Cresci no meio de tudo, tinhas estabelecimento comercial, aos finais de semana pessoas iam a boate na minha casa, mas nunca deixei levar por isso, sempre fui firme e decidida, já sabia o certo e o errado.

Ajudava as pessoas, dava de comer a um vizinho que não tinha nada, não vendia álcool a aqueles que já estavam a embriagar-se, levava-os para casa. Uma vez um vendedor ambulante foi a nossa aldeia e estava a chover muito, dei a minha capa de chuva, minha mãe disse para não dar se não devolver mais, disse que não importava.

Via muitas telenovelas e filmes via as pessoas felizes, e perguntava porquê que não era feliz como elas. Queria uma pessoa que preenchia o meu coração, me fazia sentir amada e feliz, que não arranjasse ninguém além de mim. Na minha adolescência tive um namorado, gostava muito dele e ele de mim, sentia feliz, mas não era algo que me permitia estar voltado para os outros, ajudar. E sonhava em fazer feliz todas aquelas pessoas que sentiam infelizes e abandonados, oferecer presentes no natal, fazê-los felizes. Depois de deixa-lo apesar de saber que gostava dele, o desejo de servir o próximo era muito maior. A minha busca da felicidade nunca acabou.

Minhas primas/ amigas me convidaram para ser catequista que assim conseguiria receber o sacramento de confirmação. Fui e apaixonei pela catequese, regressei à missa, mas não comungava, quando via as minha amigas, e outras pessoas na fila para comungar, sentia-me triste, incompleta. Na época de natal fui confessar, tinha vergonha e nessa época ia mais pessoas, aparti daí comecei a comungar e estava contente porque fazia parte da Igreja por inteira. Comecei a ler a Sagrada Escritura, a letra, não entedia muita coisa, principalmente do Antigo Testamento. A participação na paroquia foi estendendo nos outros grupos. Fiquei a refletir o que me deixava mais feliz, com mais entusiasmo, estar com um namorado ou catequese, falar de Jesus, escutismo, as atividades da Igreja.

Um certo dia a responsável da catequese da minha aldeia me convidou para participar na conferencia no tempo da quaresma, porque a nossa aldeia tinha pouco participação, aceitei e fui. Realmente são os caminhos do Senhor. Foi numa quinta –feira, o orador era o Pe. Loureço Rosa, recordo-me dele ter falado da conversão de São Paulo, e isso fez-me refletir na minha vida, coisas que precisava mudar para celebra a Páscoa.

Percebi que S. Paulo não era nenhum santo que mudou, que Deus chamou a uma vocação. Ressurgiu do desejo de ser irmã, aquela memoria de aos 12 anos que tia (falecida, Ir. Margarida, da congregação coração de Maria, na calheta, S. Miguel) da minha mãe disse a minha mãe que deixasse que minha irmã mais nova fosse para o convento, e eu queria dizer que queria ir para o convento, minha mãe disse-a não, que ainda consegue educar os filhos. Depois de pensar e pesquisar sobre conventos e quem podia entrar no convento, fui ter com a Ir. Luisa( Escrava da Eucariatia), disse que gostaria de ser irmã, ela partilhou da sua vocação e no final ofereceu-me um livro, “Por um ideal” da Madre Trindade. Depois de ler, pensei que ia sentir alguma coisa interior, mas nada, disse dever ser não é para ser irmã.

Depois de algum tempo irmã perguntou-me se gostei de livro, disse-a que não queria ser irmã, disse essas palavras uns 3 vezes, até ir ao encontro vocacional na praia. Esse encontro sim foi mágico, recordo ainda como se fosse hoje, o meu primeiro encontro com Jesus Eucaristia. Foi na capela da comunidade das irmãs, na hora santa, estávamos a rezar e no final saíram algumas, mas eu fiquei, o meu desejo, como que Jesus me pedia para aproximar mais do sacrário, mas tinha vergonha porque tia uma colega lá, pensava que estava maluca, mais desejava aproximar-me Dele. A minha colega saiu e fui ajoelhar ao pé de sacrário e desatei-me em choro e comecei a rezar. Esse sim foi o meu primeiro encontro Tu a tu, com aquele Amor que tanto desejava o meu coração.

Depois de segundo encontro na ilha do maio, entrei no dia 1 de setembro de 2017. O meu aspirantado teve inicio no dia 4 de outubro, dia de nosso seráfico pai S. Francisco de Assis, com uma colega. Nesta etapa aprendi a rezar, principalmente o santo terço, falava com Jesus com apoio de um guia santificado. Queria saber mais sobre Jesus, tive formação a nível teologal, feminina e congregacional que me ajudasse nesse percurso. Mais uma das maiores formações foi a nível pratica, que me preparou para etapa seguinte, o postulantado. A etapa de postulantado, foi em Portugal, iniciei no dia 15 de setembro, eramos sete jovens, duas cabo-verdianas e cinco timorenses. Nova cultura, novos desafios, mas confiava no Senhor, eu só abria a Ele. Foi uma etapa de muito recolhimento, meditação, também tive dúvidas. Uma das minhas confusões era o silêncio do Sacrário. Onde aprendi com ajuda das minhas irmãs e de um diretor espiritual, a escutar e a discernir o que Ele me dizia. Questionava muito e tinha desejo de saber e fazer coisas certas, mas foi uma etapa belo, que ajudou no meu noviciado. Já não falava com Jesus com ajuda de um livro mais já conversava com Ele, meditava na sua palavra e procura estar atenta a sua presença. Tive muitos desafios, mas uma das palavras de Jesus que acompanhou desde o meu aspirantado até agora foi: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” — João 16.33

O meu primeiro ano de noviciado, foi como mudar para uma casa nova onde tudo está desarrumada, as vezes nem sabemos das coisas que temos, ondemos que reconhecer, colocar no lixo o que não é necessário, e guardar só que é necessário. Já no segundo ano comecei a arrumar a casa, colocar tudo no seu lugar. Como consegui? Minha mestra dizia é estar de joelhos diante Dele.

Enfim, desses anos o que aprendi na formação, expirementei, vi e ouvi foi a “congregação é mãe”. Acolheu-me a mim e tantas outras jovens, nossa história, o que somos e temos para ajudar e fazer caminho com elas para descobrir a vontade de Deus, sem esperar nada em troca. Ajudou e continua a me ajudar a descobrir e redescobrir o rosto de Deus, por meio de Jesus Eucaristia. Congregação é para mim aquele que passa encontra um homem (eu) a berma da estrada, caído, e e cuida e dá tudo para me ver de pé de novo. Foi e é através dela que descobri que tenho um Pai que me ama e me perdoa sempre, ensinou-me a olhar para mim descobrir traços de Deus. A regressar o passado com gratidão e alegria, a ter fé no futuro. Minha mestra do noviciado dizia tenha sempre o desejo de desejar. O meu desejo é um dia encontrar com Ele.

Para ti que está lendo, nunca desiste de ti mesmo, nem do sonho que Deus tem para si, tenho a certeza que a sua mão sempre ti guiará e ti conduzirá a felicidade. Não tenha medo dos desafios, Maria saiu apressadamente ao encontro da prima Isabel, saia tu também, a procura do que dá sentido a tua vida.

Rezem por mim, para que eu possa ser fiel do amor de Deus apesar da minha fragilidade, e perseverante, eu rezarei por vós.

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